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MPM Entrevista: Bruno Passos, da Conto Figueira

Olha, meus amigos, estou muito feliz em publicar este post. É com muito orgulho que anuncio à vocês que o grande Bruno Passos, estilista, escritor, escultor, pintor, muito mais, gentilmente cedeu para o MPM uma entrevista muito legal.

Quando o procurei, assim, na humildade e joguei o verde se ele poderia me dar uma entrevista, ele disse: “Pô, topo demais!” Bicho, esse dia foi demais!

Aí sentei com o Tadeu Soares e falei: Cara, vamos fazer uma entrevista com um cara fodão, precisamos de perguntas realmente interessantes. Bom, pensamos demais e saiu estas aí. Palavras do próprio Bruno Passos: “…e sério, to adorando a parada, mandou mto bem!” Bom, com o aval do cara, te apresento nossa entrevista! Mas antes…

Quem é Bruno Passos?

Conheci o Bruno pelos seus posts no blog Papo de Homem (que por sinal é muito bom), com suas colunas sobre moda e estilo. Ele tem uma pegada muito legal e faz uma coisa que poucos fazem e nós tentamos fazer aqui no MPM: contextualiza sua opinião. E mais: Cita fontes históricas, conta um pouco do passado daquilo que está falando. Isso faz toda a diferença quando se fala de moda e estilo, por isso curto seu trabalho.

Bruno também é estilista e dono da marca Conto Figueira, uma camisaria muito legal, que tem uma identidade diferente das demais. O que a Conto produz, outras não produzem. Ou seja, você vestirá uma camisa de personalidade.

Este é o Bruno Passos
Este é o Bruno Passos

Agora chega de papo. Leia essa entrevista que estamos muito orgulhosos de termos feito e espero que gostem e se divirtam.

MPM: Para começar, conte-nos um pouco sobre você. Quem é Bruno Passos?

Um cara comum do interior de São Paulo, que veio pra cidade grande conquistar o mundo e descobriu aqui que antes disto era necessário conquistar a louça suja, a roupa no cesto e a preguiça de acordar cedo.

MPM: Como seu desejo por moda começou? Sabemos que tem uma veia artística, você pinta quadros, escreve, etc. Pode resumir quando e o que o estimulou a desenhar moda?

Queria ter uma origem mais nobre pra esta história, mas não tenho. Tudo começou na época do vestibular, sempre gostei de desenhar, tinha vontade de fazer ilustrações para camisetas e tinha dois cursos que me davam esta possibilidade, um era moda, o outro era desenho industrial, e no auge dos hormônios, optei por moda e o mar de alunas que faziam o curso.
Com certeza um motivo bastante estúpido, mas acho que aos 17 anos não somos um poço de sabedoria. Tive muita sorte e a decisão foi acertada, com os anos fui pegando gosto pela coisa, principalmente quando comecei a entender que Moda se tratava, antes de tudo, de comportamento social, algo que sempre me interessou muito.

MPM: Seus textos são didáticos e com contextualização histórica. Por que gosta de falar sobre moda e estilo masculino? O que te inspira a ter esta pegada?

Como disse anteriormente, creio que a moda seja a expressão imagética de um comportamento social. Embora seja muito fácil vermos o vestuário como um assunto popular, sempre senti falta de explicações mais profundas sobre a função social das roupas, é claro que muitos pensadores já escreveram sobre o tema, mas tenho a pretensão de contribuir para que o grande público também se interesse e aprenda a respeito. Acho que é um assunto que, se compreendido, pode ajudar muito a nos comunicarmos melhor um com o outro, algo que tenho sentido falta hoje em dia.
Só falo mais de masculino do que de feminino, pois além do óbvio conhecimento de causa, penso que homens são extremamente menos complexos que as mulheres. Minha ignorância está longe de conseguir compreende-las, mas continuo me esforçando, rs
Escultura criada pelo próprio Bruno Passos para sua campanha da nova coleção, Agonia e Êxtase.
Escultura criada pelo próprio Bruno Passos para sua campanha da nova coleção, Agonia e Êxtase.

MPM: Qual é a sua opinião a respeito de blogs de moda? sabemos hoje da sua influência no mercado, mas, enquanto marca e empresário como você seleciona blogs e sites que te inspiram? Você anuncia em blogs?

Seria leviano apontar apenas uma opinião sobre todos os blogs de moda. Falando sobre os brasileiros, com um olhar negativo, vejo que grande parte só replica informações ao invés de realmente gerar conteúdo e que premissas básicas como ética e credibilidade são constantemente deixadas de lado. Infelizmente estas coisas que eram  para ser características inerentes a profissão têm se tornado uma qualidade, um diferencial.
Já o olhar positivo vê que este cenário pode estar mudando, tenho notado o surgimento de ótimos blogs que produzem conteúdo, do aumento de profissionais sérios e de material de qualidade, como as combinações cromáticas criadas pelo Kadu Dantas em seu blog.
Eu tenho acompanhado poucos blogs de moda, somente os que produzem conteúdo me despertam interesse, pois independente de concordar com o que escrevem ou mostram, enxergo neles algum tipo de reflexão, e é ela que me cativa a entender mais este meio.
Poucas vezes anunciei em blogs, creio que o modelo comercial atual usado entre marcas e blogs precisa ser melhor estudado pra que sejam mais vantajosos para ambos, mas aí já é conversa pra um par de horas.

MPM: Qual é a sua opinião a respeito do interesse masculino nacional para moda? Acredita que o homem brasileiro se preocupa em entender seu estilo e com isso se vestir adequadamente para as ocasiões sociais em que ele participa?

Definitivamente não estamos no topo desta pirâmide, mas é notável como nos últimos 10 anos tem ocorrido um aumento deste interesse. Credito grande parte deste crescimento a internet e as redes sociais, pois com elas as pessoas tem conseguido se ver em terceira pessoa e começaram a ter uma compreensão imagética e de postura muito maior do que jamais tiveram.

MPM: Nos dê homens e mulheres que te inspiram a criar, seja escrevendo ou desenhando e por quê.

Minhas maiores inspirações vem da paixão que encontro nas pessoas, independentemente da área de atuação ou de serem ou não famosas, a fúria de viver que  percebo em alguns casos é fantástica e realmente inspiradora.
Van Gogh, Stephen Hawking e Cristiano Ronaldo podem não ter nada em comum, mas são todos movidos por uma paixão incontrolável pela vida que me contagia, assim como eles, conheço pessoas como Renan Cruz e Fernando Marar, amigos que são novos nomes na arte e no design e que despertam o melhor em mim sempre que os encontro.
Me parece que o desejo de criar está intimamente ligado com a admiração pela vida.
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MPM: Conte-nos sobre sua marca, a Conto Figueira. Como surgiu a ideia e o interesse de criá-la?

A Conto já tem 5 anos, começou com 500 reais meu e 500 reais da minha sócia, até hoje somos só nós dois fazendo tudo e um caminhão de amigos nos acudindo sempre que precisamos.
Como quase todo começo de marca, eram peças estranhas que tivemos que empurrar em nosso amigos e familiares (o que meu pai tem de camisa da Conto você não acredita rapaz! rs). Com o tempo e poucas horas dormidas fomos conseguindo evoluir em qualidade, criação e atendimento até chegarmos no modelo de empresa que temos hoje, que embora seja razoavelmente bem sucedido, ainda tem muito o que melhorar.
A Conto surgiu da vontade de criar uma empresa que trata-se as pessoas como pessoas. Ser uma marca de roupas foi consequência da area que tínhamos competência para atuar.

MPM: No seu processo de criação você se sente influenciado por semanas de modas internacionais? Tem interesse em atuar no mercado estrangeiro?

Acredito que não, pois não acompanho as semanas de moda no geral. Não tenho nenhum preconceito com elas, apenas prefiro escolher outras referencias para tentar traduzir comportamento sociais em produtos. Penso que elas já sejam uma tradução, então se eu as traduzisse novamente com certeza elas perderiam a força.
Leio diariamente jornais impressos e adoro noticiários na tv.
Sobre atuar no mercado estrangeiro, no começo da nossa empreitada eu tinha esta vontade, mas percebi que era apenas ego, então cada vez mais fui deixando de lado este interesse. É claro que comercialmente falando ainda é muito bom, com certeza não teria nenhuma resistência caso surgisse uma boa oportunidade, mas não tem sido foco. Ainda prefiro direcionar nossas energias para atender bem o público brasileiro, que é constantemente carente deste tipo de serviço.

MPM: Vamos falar um pouco sobre a Conto Figueira enquanto negócio. Qual o publico alvo? como você escolheu seus sócios e colaboradores? Você tem outros canais de venda além da loja online? Acredita que a venda online no futuro poderá está de igual para igual ou maior que a venda de varejo tradicional?

Nosso público alvo é bastante abrangente, mas em linhas frias podemos dizer que fazemos produtos para homens entre 20 a 35 anos, que tem vontade ou necessidade de usar camisa, mas que querem fugir do convencional e ainda assim se manterem clássicos.
Particularmente não gosto da maneira como se definem públicos alvos no mercado, embora seja um método eficaz, acredito que ela desumaniza o consumidor e também a marca. Eu vendo para pessoas e minha pretensão é atingir o mesmo público (mas não o mesmo tamanho) que empresas como a Coca Cola e a Havaianas atingem, heterogêneo em todos os sentidos. Temos nos esforçado nesta direção.
Nossos colaboradores são sempre amigos de amigos, que depois tornam-se nossos amigos também. Procuramos pessoas pelo caráter e pela paixão no que fazem.
Quanto aos canais de venda, a internet é nossa principal fonte através da loja online, mas também vendemos em algumas poucas lojas pelo estado de sp e em uma fora do estado.
Acredito que a venda online tenha se tornado um concorrente precioso para a venda física tradicional, são como adversários e irmãos, com certeza a existência de um impulsiona o outro a elevar o patamar. Assim como Cristiano e Messi, Lauda e Hunt.

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MPM: Qual é a sua avaliação empresarial e também no quesito de criação de moda masculina nacional? Acredita que os homens brasileiros estão bem servidos em toda a gama de moda apenas com marcas nacionais?

Neste ponto partilho do senso comum, somos ainda uma força de mercado pequena, mas definitivamente em crescimento.

MPM: Agora mostre para nós qual a peça da Conto Figueira que você mais gosta.

Meu xodó desta nova coleção é a camisa vinho de manga curta. Acho que é a peça que mais condiz com a evolução do vestuário masculino. Atenta ao clima, com cor forte e presença, mas sem ser chamativa e inclusive estou vestindo-a neste momento, rs

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MPM: Pra fechar, manda um recado pros nossos leitores aí, bicho!

Um último adendo: aos que desejam abrir uma empresa no ramo de moda e se aventurar nesta area, saibam que independente de todas as qualidades que deverão ter para alcançar o sucesso, existe uma que é a mais necessária de todas: PACIÊNCIA.
Esta é uma virtude que infelizmente minha geração (eu incluso) não herdou.
Sorte aos dispostos!
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